ritmo do desassossego

Ritmo do desassossego

8 de setembro de 2011

Pessoas imortais, uma Pessoa: o Pessoa


 Fotografia tirada na Casa Fernando Pessoa


Há Homens que não são feitos da mesma matéria que todos os outros. Não é de carne que são revestidos e o que lhes corre nas veias não é sangue. Os olhos são como balas capazes de perfurar todas as coisas, ultrapassam o espectro visível. Uma sensibilidade arrepiante. 
Caminham dentre a multidão, moribundos numa orquestra nem sempre audível a quem os fita. Nutrem-se da vida que por eles passa, desfilando nas ruas solitariamente. 
Diz-se que todo o Homem é mortal. Contudo, olho o fato sem forma com que me deparei e não me fica vazio.  Ao invés, reside plenitude. Interrogo-me se haverão pessoas ditas vivas mais vivas do que Pessoa? Conseguem haver mortos mais vivos que desafiam leis, são Homens do não tempo. A sua casa são todos os lugares e a vida que tão delicadamente acontece em "agoras".  

Ninguém me dirá quem sou, nem saberá quem fui

Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

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